Estou renascido das profundezas, estou quente, mas não suficiente para ser moldável.
Feliz.
Só quero que você me esqueça nesse inverno
e que tudo mais vá pro infeerno.
o/
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
To Cr
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Béra Dêiro
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19:14
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Esta é a terra que eu ando.
Olhe ai! Este é o rio que essa terra me herda,
Veja a natureza que eu tanto amo.
Isso sim são os campos de Minerva.
Aquele lado habitam as boas almas.
Naquele lado eu queria morar,
um lugar perfeitos para namorados.
Naquele lado eu até poderia amar.
Tua beleza me embebeda,
lindas são tuas águas que correm.
Não consigo pensar em ti sem que eu fique de porre.
Rio infindo, a mim faltam-me palavras para te completar.
E os que nunca te viram,
quando te vêem fazem te adorar.
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Béra Dêiro
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19:18
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domingo, 23 de setembro de 2007
Ensaios
Meu cabelo é ruim, eu sou baixo, a minha beleza é puramente interior, se bem que essa também me anda faltando. Não malho, meu tanquinho é de 10kg, sim, de 10kg, minhas pernas são tortas, as vezes as uso como alicate, jamais ouve quem conseguisse escapar. Mas também, nunca vi ninguém sentar em roda, para contar suas derrotas, nunca conheci alguém que falhasse na vida, então eu que sou mesquinho, porco viril, que viva eu com minhas agruras. Que meus 40ºC não sejam em vão! E que Van-Gogh não não fique a mercê.
Eu rio de mim mesmo, cão, vivente de bel-prazer nas gangorras da vida.
Minha fadiga me entorpe, meu torpor é contínuo, que seja, quem liga?
O rio que corre em mim, corre mais de vagar, e a correnteza que me propõe um sentido,
sentido já não propõe mais.
Que seja o pior dos piores, que seja aquela infindavelmente algoz, que a última seja meu calvário.
E tu jamais saberás aonde eu vou, a turbina esquecida, é aquele que meu deu força, a turbina.
Esquecida, lembrada, força, eu creio.
E que adiantas me passares modos de como viver, a vida me leva a viver, até que nos encontremos em meu calvário.
E eu já creio em super heróis, até por que com meu olho, eu consigo desparar raios de calor,
e meu corpo duro, entrevado, meu joelho torcido, vira 180 graus.
E que importa, que vire, volto atrás a corrigir meus erros, uns insaciáveis, outros inremendáveis, mas que seja aquela
que nas noites vagas me vela.
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Béra Dêiro
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21:50
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
O quê?
Que importa que me molhe a chuva?
Que importa que a chuva molhe meu ténis que não pode ser molhado?
Que importa que eu afunde o ténis na lama, que eu saia pulando de buraco em buraco...?
Que importa a água junto ao meu hálito embaçar meus óculos?
E de que importa a vida sem que a natureza me mostre seus sabores?
Não me importa a roupa, não me importa a mochila, não me importa isso ou aquilo nada importa, o que importa são os poemas.
Se és assim, és da vida insossa, sem villas, sem lobos, o que agrada aquelas cantilenas
e o melhor de tudo isso é ver que realmente existem pessoas (a um tempo atrás) e outras hoje, que escrevem belos poemas.
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agora vejam um talento em pessoa, digo em Fernando Pessoa.
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NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-a!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
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Béra Dêiro
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20:16
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domingo, 16 de setembro de 2007
Tedioso
Eu vou falar que, preciso falar. Pois, nós enquanto seres humanos, necessitamos do desfrute da comunicação. Por trás dessa carapaça rudimentar, simples e volátil, existe alguém que necessita de favores, alguém que abstém-se destes favores. Como a coisa toda anda hoje, é difícil dizer o que fazer, como fazer e com quem fazer. (sexo nu com a mão no bolso)
Agora simples mesmo é a vida que levava o cidadão em um interior qualquer, comendo um lanche específico, com pessoas seletas; sabe?! Aquela erva com sucos cítricos me faz uma real falta, a falta de que me fazia aquele povo tão real.
A ganância é um pecado, eu não preciso daquelas coxas enormes aquelas, morenas, brancas e até amarelas, mas os seios daquelas jovens que desfilam nas ruas populares nas vielas das faculdades, não me deixam pensar em nádega, digo em nada.
Quando não temos o que dizer, falamos sobre clima.
Hoje tá tão quente, é, quase não chove ultimamente, já reparou no céu estrelado?
a lua então nem se fala.
Andar a pé na chuva, às vezes eu me amarro
Não tenho gasolina, também não tenho carro
Também não tenho nada de interessante pra fazer
Tédio com um T bem grande pra você.
saco!
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Béra Dêiro
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19:41
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
À noite, todos os dias.
A noite, Aaaarh! (entonação de suspiro acabando o ar) A noite.
Como tudo pode em apenas algumas palavras, virar uma tristeza que funde a alma, somente o uivo do lobo faz a calma.
Aquele acorde intrínseco, aquela vibração, aquela sinfonia orquestra silenciosa, aquela corda que te corta a alma, que te atravessa como um sonar; o suspiro aquele suspiro de jovens nas praças a luz de uma bela lua cheia, o relógio corre tão de pressa, só não tão de pressa quanto bate os corações apaixonados...
Eu olho ela, as pernas ficam mais leves, olhar sutil... uma hora me sinto tão obscuro, fico tácito; o perfume dela me deixa paralisado, me sinto em transe, torporizado. Há dias em que fico quase a pairar no ar. Outros dias fico a escrever, por que me fere aquela pele que pelo menos ao longe parece ser tão macia, tão... sedosa, se um dia eu tiver coragem falo a ela que jamais, vi tão bonita, uma rosa.
"eu não sei sorrir
vc não me ensinou
eu não sei sorrir
bocas me faltou
como poderia eu sorrir
com teus beijos que não tive
como poderia eu sorrir
apenas aos almejos
aquele teu lábio
o que me falta
ele é que eu desejo
eu não sei sorrir
como poderia eu sorrir
se não tenho o que anseio."
(oberadeiro)
"esse negócio de vir inspiração não existe em mim, eu já nasci inspirado já, ou eu faço uma boa coisa ou eu faço uma porcaria..."
e assim disse.
igualmente a você, digo eu.
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Béra Dêiro
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23:42
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domingo, 26 de agosto de 2007
Sempre na mesma de novo.
Domingão... Nada a fazer, a não ser se preocupar com o que temos por fazer na segunda-feira.
Os programas televisivos da tv aberta, sempre com intenção de matar quem já sofre de depressão e quem ainda não sofre, é bem fácil que sofra pra frente.
Você liga a TV... Domingão do faustão, troca de canal... Gugu, troca de canal... Eliana, troca de canal... Algum programa esportivo idiota (beeem amiiiiigos da reede plim plim) e derivados. Uma pessoa que mora no oitavo andar faz isso em um domingo entediante, liga a TV, passa todos os canais, e se joga da janela de seu apartamento, pra ter certeza de que irá morrer, antes de chegar ao chão atira em sua cabeça.
Quanto à segunda-feira, barzinhos limpando o chão, sujo de cacos de vidro, vômitos e tudo mais, lojas abrindo suas vitrines, camelôs (plural de camelô, pra uma eventual dúvida) infestando a rua, a sujeira tomando conta da cidade, aí vem a poluição sonora, flyers, folders, panfletos todos sendo jogado ao alto e sendo empurrado em sua mão.
Eu me isolo na biblioteca, tudo bem. Que a vida (e que vida) aconteça lá fora. No fim ainda pegamos um coletivo lotado, é um empurra daqui um puxa dali... o melhor de tudo - pra não dizer pior - é a união, imagina quando alguém sai da cadeira... para os demais em pé sentar... e lá vai a contagem, 1... 2... 3... e todos ouvem o tiro, todos correm em direção a medalha - a cadeira onde sentar -. É assim, no coletivo quem manda é a lei do pau, quem tem esfrega nos outros que não tem só se dá mal.
=)
Escrito por um
Béra Dêiro
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