Que importa que me molhe a chuva?
Que importa que a chuva molhe meu ténis que não pode ser molhado?
Que importa que eu afunde o ténis na lama, que eu saia pulando de buraco em buraco...?
Que importa a água junto ao meu hálito embaçar meus óculos?
E de que importa a vida sem que a natureza me mostre seus sabores?
Não me importa a roupa, não me importa a mochila, não me importa isso ou aquilo nada importa, o que importa são os poemas.
Se és assim, és da vida insossa, sem villas, sem lobos, o que agrada aquelas cantilenas
e o melhor de tudo isso é ver que realmente existem pessoas (a um tempo atrás) e outras hoje, que escrevem belos poemas.
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agora vejam um talento em pessoa, digo em Fernando Pessoa.
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NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-a!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
3 comentários:
boquiabrido.
tb estou farta do lirismo comedido, bem comportado, batedor de ponto e prestador de contas
:*
poemas são perfeitos. e Fernando Pessoa tb.
Porto Velho é bem longe o.o
eu prometi a mim que quando eu tiver dinheiro suficiente, vou passar uma temporada no interior de Rondônia...ou Roraima, tanto faz
;P
;*
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